Como os Peissahk conheceram os Manczyk - How the Peissahk got to know the Manczyk


O Luzer tem uma memória prodigiosa, e graças a ele podemos conhecer fatos que aconteceram há uns 90 anos. Enquanto jogávamos uma partida de tranca num certo apartamento da Alameda Franca, e ao mesmo tempo em que dava uma surra no Newton e na Eleonora, comprando coringas, fazendo canastras e batendo o jogo em tempo recorde, bem ao seu estilo, Luzer contou o que se segue.

Viajante

Nosso avô Alberto Peissahk gostava de ser chamado de Englander. Afinal, tinha vivido e casado na Inglaterra, antes de vir ao Brasil. Ele trabalhava como vendedor de cortes de legítima casimira inglesa, fabricada em São Paulo (risadas....), e viajava pelo interior do Rio Grande do Sul vendendo sua mercadoria. Era assim que sustentava a família.

Os imigrantes Maurício Manczyk, a esposa Cecília e os filhos Luzer e Malka moravam em Bagé desde que chegaram da Polônia. Um dia, de passagem pela cidade, nosso avô conheceu seu Maurício. Além de negociar tecidos, eles se tornaram amigos. O Luzer deveria ter uns 4 ou 5 anos na época em que as duas famílias se conheceram. Mais tarde, nosso avô Alberto convidou seu Maurício para vir a Porto Alegre conhecer sua família. E assim, os Manczyk viajaram a Porto Alegre, e todos se conheceram. A Malka fez amizade com a Esther e a aproximação entre as famílias aumentou. Mais tarde o Luzer e a Esther casaram, mas isso já é outra história.

São Paulo, 1958. A partir da esquerda, Aguir, Luzer, Esther, 
Dona Cecília, Malka, Seu Maurício, Clovis e Alberto.


O vô Alberto era um ávido colecionador de antiguidades, como todos sabem. Mas o que a Marieta contava é que, como sempre vivia com o dinheiro curto, ele vendia uma antiguidade quando precisava comprar algo importante, como entradas para a ópera, mas sempre fazia a reposição, comprando uma peça antiga de menor valor. Segundo o Luzer, a casa deles era um verdadeiro antiquário, com peças antigas em todos os cômodos.

A vó Berta faleceu mais ou menos um ano antes do vô. Eles moravam numa casa na Cristóvão Colombo, bem perto de onde ficava a fábrica da Brahma. Quando a vó faleceu, o vô e a Esther se mudaram para outra casa, na Rua do Arvoredo, no centro da cidade.



Observações

Nessas duas fotos do vô Alberto ele aparece com os tecidos pendurados no braço e, possivelmente, a bolsa onde levava a mercadoria em suas viagens e caminhadas. O quepe parece ser o mesmo nas duas fotos. Outro detalhe que se descobre olhando com atenção: ele usava dois anéis na mão esquerda. Acho impressionante a semelhança da Marieta com ele.

Mari


How the Peissahk got to know the Manczyk


Albert Peissahk liked to be called Der Englander. He had lived and married in England, before coming to Brazil. He worked as a salesman of real English cashmere (made in Sao Paulo...) and traveled to the hinterland of the State of Rio Grande do Sul, selling his wares. That´s how he provided for his wife, Bertha and his three daughters: Rosa, Marieta and Esther.
The immigrant Mauricio Manczyk, his wife Cecilia and the children Luzer and Malka lived in the city of Bagé, since coming from Poland. One day, passing by the city, Albert met Mauricio and they became friends. Luzer must have been around 5 at that time. Albert would stay at Mauricio´s home while in town. Later, Mauricio and family came to the capital of the State, Porto Alegre, and the two families met. Malka became Esther´s friend and later on Luzer married Esther, but that´s another story.


Sao Paulo 1958 ‐ Left to right: Aguir (Brazilian‐born, dark‐colored who spoke perfect Yidish, raised by Mauricio), Luzer, Esther, Cecilia, Mauricio, Clovis and Alberto (children of Esther and Luzer)


Albert was a fanatic collector of antiquities. In time of need, he would sell one piece and buy a cheaper one. According to Luzer, his home was a real antique shop, with old pieces in every room.
Bertha passed away more or less one year before Albert (apparently she in 1942 and he in 1943).



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